COMA ARROZ TENHA FÉ NAS MULHERES

Semana passada aconteceu a Semana de Ação Contra o Especismo em várias cidades ao redor do mundo. Coletivos abolicionistas e ativistas de POA se uniram para prestar uma homenagem ao inglês Barry Horne, à Frente de Libertação Animal, e aos animais vitimizados pelo especismo.

Barry Horne foi um dos mais dedicados ativistas de direitos animais que faleceu após quatro greves de fome, muitas conquistas da causa animal foram lideradas por ele. Além da proibição do uso de animais em cosméticos, também a Inglaterra é um dos países mais avançados na questão da abolição da experimentação animal e o país também não utiliza mais animais nas escolas de medicina em cirurgias, por exemplo.

Ações como debates e exibições de filmes aconteceram durante toda a semana em pontos de culinária vegana da cidade, como o Germina (Rua Prof. Duplan, 60), Bonobo (Rua Castro Alves, 101) e Estômago Café Vegano (Rua Miguel Tostes 275).

Aqui no café, tivemos uma roda de conversa sobre o livro, considerado uma bíblia para o vegetarianismo feminista “A política sexual da carne” da autora Carol J. Adams e também a exibição do filme “O Rebanho” da diretora Melanie Light.

      

A conversa foi pautada na importância da alimentação como um ato politico e social, pois o veganismo, para além da comida, está atralado ao movimento contra o especismo.O especismo nada mais é do que a ideia de que a espécie humana não precisa levar em consideração os interesses de indivíduos de outras espécies, e portanto tem o direito de exporá-los, escravizá-los e matá-los.

E esse texto, a Política Sexual da Carne, releio há anos e sempre me parece mais atual e mais atrelado a libertação humana/animal, e problematiza tantas coisas que passam batidas aos nossos olhos, porém, engordam mais e mais o imaginário da dominação masculina/especismo.

Mas, então o que seria a política sexual da carne?

Então, é a teoria de que o consumo de carne, dentro da sua subjetividade, é uma atividade associada a virilidade, a força, ao poder e ao domínio (masculino). No livro, Carol Adams mostra incansavelmente exemplos de que o patriarcado usa animais e mulheres como objetos de dominação, seja através da caça, da violência, da mídia que fomenta a ideia do homem “chefe de família que decide”.

Ela nos diz que ser homem na nossa cultura é algo que está ligado a identidade que eles reinvindicam ou negam – o que um homem “verdadeiro” faz ou não. No caso, os homens que resolvem se abster de carne são considerados efeminados, assim como comer vegetais simboliza a passividade feminina.

Nessa mesma linha, ela defende a intersecção de ativismos, onde o feminismo não exclui o veganismo e vice-versa, para por fim ao ativismo fragmentador, onde uma causa é mais relevante que outra e não inter-dependentes.

Enfim, recomendo fortemente a leitura e a reflexão 🙂

E aqui o link, para quem quiser se informar mais sobre o assunto: https://contraoespecismo.libertar.se/

A luta não é por nós, não por nossos desejos e necessidades pessoais. É para todos os animais que já sofreram e morreram nos laboratórios de vivissecção, e para cada animal que vai sofrer e morrer nesses mesmos laboratórios a menos que acabemos com esse mal agora. As almas dos mortos torturados clamam por justiça, o grito da vida é a liberdade. Podemos criar a justiça e nós podemos entregar essa liberdade. Os animais não têm ninguém além de nós. Nós não vamos falhar com eles”

Barry Horne

Júlia

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